E se cada um parasse agora e internalizasse que nunca seremos perfeitos?
Nunca seremos completamente livres desse desejo profundo de alcançar a perfeição, mas se pelo menos em algum momento pudéssemos ter a consciência de que isso é uma fantasia, talvez víssemos a vida de uma forma muito mais real.
O homem não acabará com a ganância, com as diferenças, com a pobreza, com a morte, com os erros. Não deixaremos de ser corruptos, não virá uma tempestade e uma arca, não teremos a paz eterna.
Todas essas idéias são muito cruas, para não dizer cruéis. E de difícil aceitação também, principalmente porque não sabemos a extensão delas, ou seja, até onde elas são verdadeiras. Porque se são, cabe a pergunta: podemos melhorar?
Eu acho que sim. Outros acham que não. Mas eu acho que sim.
Porém essa melhora não é como um conserto, ou uma solução, mas como um constante aperfeiçoamento, pequenos avanços: na política, economia, sociedade, pensamento etc. Idéia sobre idéia que juntas tentam sustentar essa inevitável vontade do ser humano de se sentir bem.
Só vejo o fim dos problemas no infinito.
Por isso que desacreditei que as melhoras possam ser rápidas e passei a acreditar que cada problema deve ser trabalhado aos poucos e avançando de forma natural e lenta. Somente na medida em que formos descascando essa infinita cebola de problemas poderemos entender melhor que é da condição do ser humano ser imperfeito. E aceitar.
Aceitar que nunca saberemos a resposta para tudo e de que o infinito pode nunca chegar.
2 comentários:
Adorei. Mas adorei muito mesmo.
Dá-lhe Miguel! Bom texto! Gostei mesmo!
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