E se cada um parasse agora e internalizasse que nunca seremos perfeitos?
Nunca seremos completamente livres desse desejo profundo de alcançar a perfeição, mas se pelo menos em algum momento pudéssemos ter a consciência de que isso é uma fantasia, talvez víssemos a vida de uma forma muito mais real.
O homem não acabará com a ganância, com as diferenças, com a pobreza, com a morte, com os erros. Não deixaremos de ser corruptos, não virá uma tempestade e uma arca, não teremos a paz eterna.
Todas essas idéias são muito cruas, para não dizer cruéis. E de difícil aceitação também, principalmente porque não sabemos a extensão delas, ou seja, até onde elas são verdadeiras. Porque se são, cabe a pergunta: podemos melhorar?
Eu acho que sim. Outros acham que não. Mas eu acho que sim.
Porém essa melhora não é como um conserto, ou uma solução, mas como um constante aperfeiçoamento, pequenos avanços: na política, economia, sociedade, pensamento etc. Idéia sobre idéia que juntas tentam sustentar essa inevitável vontade do ser humano de se sentir bem.
Só vejo o fim dos problemas no infinito.
Por isso que desacreditei que as melhoras possam ser rápidas e passei a acreditar que cada problema deve ser trabalhado aos poucos e avançando de forma natural e lenta. Somente na medida em que formos descascando essa infinita cebola de problemas poderemos entender melhor que é da condição do ser humano ser imperfeito. E aceitar.
Aceitar que nunca saberemos a resposta para tudo e de que o infinito pode nunca chegar.
terça-feira, 19 de julho de 2011
domingo, 19 de junho de 2011
Eduardo Galeano,
escritor uruguayo, brilha em depoimento sobre a vida e o mundo.
http://www.youtube.com/watch?v=mdY64TdriJk&feature=youtu.be
http://www.youtube.com/watch?v=mdY64TdriJk&feature=youtu.be
ATUALIZAÇÕES
Pela dificuldade relatada de se tornar um membro, ou acompanhar os novos textos, eu peço, a todos que se interessarem pelo Blog, que mandem um e-mail para miguel@kubrusly.com.
A partir disso, me comprometo, em cada postagem nova, a atualizar os "inscritos" pelo correio eletrônico. Fora isso, pretendo criar um grupo no Facebook em breve.
Obrigado.
Pequenina felicidade
O mundo se vê de uma maneira tão mais complexa do que ele realmente é. O mundo não, o homem, que é o mundo para mim.
Se víssemos as coisas de uma maneira mais simples, saberíamos melhor como lidar com elas.
Por exemplo, o amor. Quando os nossos sentimentos começam a ser calculados, decididos, planejados, paramos de nos perguntar o que realmente está acontecendo: estamos felizes ou infelizes?
Por algum motivo extraordinário, as pessoas esquecem de algo tão importante quanto a felicidade. Não há nenhuma outra busca que possa tomar o lugar dela. Nem o conhecimento e nem a ciência.
Afinal, os cientistas já se perguntaram o que eles são?
Eles são alguns indivíduos, de uma única espécie, de um único planeta, de um único universo, de um único tempo! Isso não é nada!
Por maiores que as nossas descobertas sejam, só são grandes porque são nossas.
Por maiores que as nossas descobertas sejam, só são grandes porque são nossas.
E não deveria ser diferente disso, é claro. Se não nos afeta e nem nos afetará no futuro, qual seria a nossa preocupação? Não somos responsáveis pelo mundo, tampouco temos o controle dele.
É com muita felicidade que digo: Ainda não houve ninguém que pudesse me explicar um motivo maior na vida do que o de viver. (Graças a Deus).
sábado, 11 de junho de 2011
Vestibular
A história da aprovação universitária no Brasil é um edifício mal construído. Podemos pintar, mobiliar, varrer, botar janelas, tirar janelas... Mas senão mudarmos sua estrutura, o prédio sempre estará prestes a cair de novo.
O maior reflexo disso está na imensa angústia que o aluno vive no preparatório. A impressão, como estudante digo, é a de que o ensino fundamental e médio não significaram para nada, porque o vestibular tem uma forma tão desconexa com o tempo, que bruscamente somos obrigados a entrar em outra dinâmica escolar: mais dura, mais pragmática. Menos inteligente.
O ilogismo dos critérios de hoje nos remete a sensação de que, por mais que as provas tentem ser coerentes, só servem para diminuir o número de pessoas aprovadas (problema histórico dos vestibulares no Brasil). Porque, na prática, os alunos estão sujeitos aos caprichos de um sistema de avaliação que adimite notas 75,6, mas não 75,5.
(E como Millôr disse sobre a natação: "Tenho absoluta incapacidade de admirar um homem apenas porque ele é melhor do que o outro um centésimo de segundo".)
No passado, existiam somente três faculdades: direito, medicina e engenharia, ou seja, humanas, biologia e exatas. Porém, hoje em dia as profissões tem seus limites muito mais difusos e misturados e fica difícil escolher o melhor profissional simplesmente pelas matérias em que ele é bom .
Pegue o meu próprio exemplo: tenho uma facilidade natural para a matemática. Gosto de números, contas, cálculos e raciocínio lógico. Sempre fui aluno nota 8,5, 9 ou até 10. Não à toa, me diziam que meu caminho era na área de exatas.
Depois de outras profissões, comecei a pensar em engenharia e matemática: a engenharia que eu escolhi foi a ambiental e a área matemática que pensei foi a de professor. Tudo que eu queria combinava para a vida, a sociedade, a natureza: medicina, direito, educação, biologia etc.
Mas a sugestão que me deram de seguir a carreira de matemático é pontualmente pertinente, porque, dentro do método que é usado, esse é o meu ponto forte.
Mas então, se pergunte: o que dinstingue o bom profissional realmente é um décimo para os demais ou sua nota em biologia e química?
A partir disso, podemos ter a triste percepção de que, mesmo assim, é o vestibular que seleciona os profissionais deste país e que são eles que determinam o nosso funcionamento interno. São os exemplos a serem seguidos e detêm um dos maiores privilégios que se pode ter: o conhecimento.
Nesse contexto de desconstrução pedagógica nascem diversos problemas sérios para o Brasil. Por isso eu quero parabenizar a todos que continuam levando o ensino a sério, independente das dificuldades que ele nos apresenta. Porque são pessoas que não desistiram do que querem e que continuarão lutando pelos seus princípios. Mesmo se estiverem contra a maré.
Obrigado,
Miguel Kubrusly
Para um aprofundamento maior:
domingo, 5 de junho de 2011
Explicação do título "Fósforos"
"Lembro-me de que certa noite - eu teria uns quatorze anos, quando muito - encarregaram-me de segurar uma lâmpada elétrica à cabeceira da mesa de operações, enquanto um médico fazia os primeiros curativos num pobre-diabo que soldados da Polícia Municipal haviam "carneado". (...) Apesar do horror e da náusea, continuei firme onde estava, talvez pensando assim: se esse caboclo pode agüentar tudo isso sem gemer, por que não hei de poder ficar segurando esta lâmpada para ajudar o doutor a costurar esses talhos e salvar essa vida? (...)
Desde que, adulto, comecei a escrever romances, tem-me animado até hoje a idéia de que o menos que o escritor pode fazer, numa época de atrocidades e injustiças como a nossa, é acender a sua lâmpada, fazer luz sobre a realidade de seu mundo, evitando que sobre ele caia a escuridão, propícia aos ladrões, aos assassinos e aos tiranos. Sim, segurar a lâmpada, a despeito da náusea e do horror. Se não tivermos uma lâmpada elétrica, acendamos o nosso toco de vela ou, em último caso, risquemos fósforos repetidamente, como um sinal de que não desertamos nosso posto."
(VERÍSSIMO, Érico. "Solo de Clarineta". Tomo I. Porto Alegre: Editora Globo, 1978.)
Desde que, adulto, comecei a escrever romances, tem-me animado até hoje a idéia de que o menos que o escritor pode fazer, numa época de atrocidades e injustiças como a nossa, é acender a sua lâmpada, fazer luz sobre a realidade de seu mundo, evitando que sobre ele caia a escuridão, propícia aos ladrões, aos assassinos e aos tiranos. Sim, segurar a lâmpada, a despeito da náusea e do horror. Se não tivermos uma lâmpada elétrica, acendamos o nosso toco de vela ou, em último caso, risquemos fósforos repetidamente, como um sinal de que não desertamos nosso posto."
(VERÍSSIMO, Érico. "Solo de Clarineta". Tomo I. Porto Alegre: Editora Globo, 1978.)
Convite
Todos que quiserem participar com textos, correções ou informações, por favor enviem um e-mail para miguel@kubrusly.com. Convidem seus amigos.
OBRIGADO PELA PARTICIPAÇÃO
OBRIGADO PELA PARTICIPAÇÃO
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Atenção para o novo Código Florestal
Desculpem-me ser tão incisivo, mas novo Código Florestal representa um retrocesso nas ações humanas e até mesmo brasileiras.
Desde 1934, quando o primeiro código foi redigido, o Brasil vinha avançando de várias maneiras positivas no que diz respeito às leis ambientais. Por exemplo, a Constituição de 1988 garantiu a preservação do meio ambiente, alegando que é um bem inerente a todo cidadão brasileiro. Já o Código Civil, em 2002, determinou que toda propriedade está atrelada às exigências sociais: entre elas, a preservação da natureza.
Contraditoriamente, o Código Florestal de 2011 quer acabar com as Áreas de Proteção Permanente (APP) e retirar do pequeno proprietário a responsabilidade de preservar as áreas de Reserva Legal. O PMDB ainda complementou dizendo que deve-se anistiar àqueles que não cumpriram as leis do antigo Código, o que, para Dilma, é inaceitável.
Para entender melhor o que essas mudanças representam, vejam este vídeo, que explica didaticamente o que são as novas leis e o que elas representam: http://www.youtube.com/watch?v=p_3tXpu1-IM&feature=related
Mas por que fazer uma lei dessas?
Dizem que ela vem da necessidade de um crescimento econômico e de uma expansão natural da agricultura.
Porém, as leis florestais não previnem somente o fim das florestas. Elas também asseguram a purificação da água, a fertilização dos solos, o fluxo dos rios e a estabilidade das encostas. E não teremos uma grande agricultura sem os bens que o antigo Código previne. A falta dessa conclusão na câmara sugere que 400 deputados federais não estão pensando no futuro.
Esse imediatismo se refere ao lucro. Porém, o lucro que vêm rápido também tem seu prejuízo. Dentro de alguns anos, ele terá de ser reaplicado nas áreas em que, anteriormente, defasou. Por isso, a agricultura deve ser sustentável: para também ser ininterrupta.
Mas ser sustentável, não significa gastar mais do que temos?
Não.
O termo "desenvolvimento sustentável" perdeu seu significado original e passou a ser contradito pelos mesmos propósitos que ele defende.
Desenvolvimento sustentável significa desenvolvimento sócio-econômico. E a sustentação da agricultura também é uma atitude proposta pela economia, para transformá-la em algo substancial e de longo prazo.
A conclusão deste quadro é que o Novo Código não poderá ser aceito.
O que está acontecendo não é uma corrupção fiscal, nem um suborno local. Esta é uma intervenção inteligente e política e sua aceitação representa a disponibilidade da população brasileira para medidas inconsistentes do poder público.
Então, por favor, dêem um jeito de se manifestarem. Precisamos protestar para evitar que comece, em nosso tempo, o processo que destruirá massivamente o ecossistema brasileiro.
Obrigado, Miguel Kubrusly
Desde 1934, quando o primeiro código foi redigido, o Brasil vinha avançando de várias maneiras positivas no que diz respeito às leis ambientais. Por exemplo, a Constituição de 1988 garantiu a preservação do meio ambiente, alegando que é um bem inerente a todo cidadão brasileiro. Já o Código Civil, em 2002, determinou que toda propriedade está atrelada às exigências sociais: entre elas, a preservação da natureza.
Contraditoriamente, o Código Florestal de 2011 quer acabar com as Áreas de Proteção Permanente (APP) e retirar do pequeno proprietário a responsabilidade de preservar as áreas de Reserva Legal. O PMDB ainda complementou dizendo que deve-se anistiar àqueles que não cumpriram as leis do antigo Código, o que, para Dilma, é inaceitável.
Para entender melhor o que essas mudanças representam, vejam este vídeo, que explica didaticamente o que são as novas leis e o que elas representam: http://www.youtube.com/watch?v=p_3tXpu1-IM&feature=related
Mas por que fazer uma lei dessas?
Dizem que ela vem da necessidade de um crescimento econômico e de uma expansão natural da agricultura.
Porém, as leis florestais não previnem somente o fim das florestas. Elas também asseguram a purificação da água, a fertilização dos solos, o fluxo dos rios e a estabilidade das encostas. E não teremos uma grande agricultura sem os bens que o antigo Código previne. A falta dessa conclusão na câmara sugere que 400 deputados federais não estão pensando no futuro.
Esse imediatismo se refere ao lucro. Porém, o lucro que vêm rápido também tem seu prejuízo. Dentro de alguns anos, ele terá de ser reaplicado nas áreas em que, anteriormente, defasou. Por isso, a agricultura deve ser sustentável: para também ser ininterrupta.
Mas ser sustentável, não significa gastar mais do que temos?
Não.
O termo "desenvolvimento sustentável" perdeu seu significado original e passou a ser contradito pelos mesmos propósitos que ele defende.
Desenvolvimento sustentável significa desenvolvimento sócio-econômico. E a sustentação da agricultura também é uma atitude proposta pela economia, para transformá-la em algo substancial e de longo prazo.
A conclusão deste quadro é que o Novo Código não poderá ser aceito.
O que está acontecendo não é uma corrupção fiscal, nem um suborno local. Esta é uma intervenção inteligente e política e sua aceitação representa a disponibilidade da população brasileira para medidas inconsistentes do poder público.
Então, por favor, dêem um jeito de se manifestarem. Precisamos protestar para evitar que comece, em nosso tempo, o processo que destruirá massivamente o ecossistema brasileiro.
Obrigado, Miguel Kubrusly
Domingo: protesto contra código florestal
Neste domingo, dia 5 de junho de 2011, abraçaremos juntos o Jardim Botânico para reclamar contra o "Novo Código Florestal". O protesto começa às 11 horas. Obrigado
quarta-feira, 1 de junho de 2011
Sobre o blog
Primeiramente, gostaria de falar sobre o próprio blog.
Sou morador do Rio de Janeiro há dezessete anos e ainda não sei o que dizer dessa cidade.
Mas, para além do Rio, também não sei o que dizer do meu país. Porque, a princípio, somos todos assim: especiais. Nascemos em uma terra privilegiada, com muitas belezas e quase nenhum desastre natural. Porém, dentro da minha vivência, percebo que esse orgulho é ferido.
Porque temos medo.
O temor do brasileiro é justamente do próprio país, porque não sabemos quem ele é. Não percebemos que somos cidadãos e nem tomamos responsabilidade pelo que fazemos. Isso nos torna membros de um país quebrado
Mas como mudar?
Acho que toda transformação requer muito tempo e sofrimento. Portanto, precisamos de apoio, ideias, pessoas e eventos. Quero expandir esse propósito ao máximo e protestar contra a política social em que vivemos.
Agradeço à todos que me leram.
Um grande abraço, Miguel
Assinar:
Postagens (Atom)